quinta-feira, 17 de outubro de 2013

I Love Kuduro

COBERTURA ESPECIAL FESTIVAL DO RIO 2013
Batida angolana ganha o mundo com sua originalidade

Angola, território de diversas culturas com línguas, costumes e origens diferentes. É de lá que vem o beat, criado no final dos anos 80, que se espalhou rapidamente entre os jovens africanos e agora por todo mundo: Kuduro. O Documentário I Love Kuduro, dirigido por Mário Patrocínio, mesmo diretor de Complexo: Universo Paralelo, narra como surgiu esse gênero musical urbano e explica como ele se tornou um fenômeno mundial.

Os narradores da história explicam a realidade e evidenciam as origens do ritmo angolano marcado pela batida pesada, pelas letras fortes e pelos graves distorcidos que se assemelham ao som dos funks cariocas. O que impressiona é como os jovens kuduristas conseguem achar a música em qualquer coisa que exprima som e a transforma em grandes sucessos.

Durante os 99 minutos de filme veem-se as mais idolatradas estrelas que fazem parte desse estilo de música. Figuras coloridas e altamente criativas nos divertem ao longo do filme com sua originalidade particular. A dupla de rappers Príncipe Ouro Negro e Presidente Gasolina transferem nossa atenção para um dialeto pitoresco criado por eles, além dos nomes inventivos que atribuem aos objetos.

Além de sensibilizar o espectador pela situação precária da maioria dos africanos, a narrativa documental mostra o que eles conseguem fazer com tão pouco recurso financeiro. (Nagrelha Chefe de Estado-Maior do Kuduro), Sabem (o príncipe), Francis Boy (o rei do swegue), Titica (a estrela transexual cintilante) e Cabo Snoop (o príncipe da África) são umas das celebridades que mais fazem sucesso por lá e que usaram sua criatividade musical para chegar ao estrelato.

O documentário é bem feito e não foge do tradicional (depoimentos, músicas, arquivos), mas é eficiente. A sensualidade impressa nos movimentos de quem dança Kuduro é um tanto veemente e ao mesmo tempo excepcional. I Love Kuduro deixa um gostinho de viajar para Angola e participar dessa mistura de ritmos que fazem o corpo mexer involuntariamente. O povo mais pobre do mundo mostra que tem identidade e sabe bailar.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Yema

COBERTURA ESPECIAL FESTIVAL DO RIO 2013

Sem diálogos entre os personagens, filme surpreende com cenas fortes

Como seria um filme dirigido e protagonizado por Djamila Sahraoui? O filme ganhou o Prêmio FIPRESCI de melhor direção no Festival de Dubai, em 2012, e podemos dizer que a habilidade de atuação de Sahraoui é bastante apreciável. Yema se passa em uma parte rural da Argélia e é extremamente gestual e simbólico.

Todo muçulmano tem de seguir a doutrina do Corão, mesmo que dificulte a relação entre mãe e filho. Ouardia, interpretada pela diretora, é uma mãe de dois filhos que se depara com as consequências da realidade de uma guerra civil entre o governo e rebeldes islâmicos. Ali, um dos seus filhos e líder de um grupo de radicais islâmicos, mata seu próprio irmão, um soldado do governo. O que mais impressiona no filme é como Ouardia lida com essa situação contrastante.

O diálogo entre os personagens de Yema é praticamente inexistente, porém é repleto de metáforas e gestos que encarnam a cultura islâmica. Em um universo rodeado de dor e desfigurado pela seca, a protagonista cria coragem para dar vida a sua horta, uma fonte de alimentação. A significativa ideia era representar a possibilidade de esperança em um mundo aparentemente sem perspectiva.  

O longa inicia com Ouardia se preparando para enterrar seu filho mais velho, morto pelo irmão. As cenas que Yema traz às telonas são fortes, porém não variam, o que contribui para deixar o filme um tanto monótono. A presença de uma trilha sonora tornaria mais interessante a narrativa, já que apenas o som ambiente é enaltecido.



Vale destacar que, apesar de ser um filme muito cansativo, Yema é um drama bem filmado e enfatiza apenas uma questão: até que ponto uma mãe pode suportar para garantir sua sobrevivência e o bem estar de sua família, vítima de fragmentação em consequência de uma guerra civil islâmica?

Computer Chess

COBERTURA ESPECIAL FESTIVAL DO RIO 2013
 
Uma frenética disputa entre a máquina e o homem
Ramon Tadeu
 
Em pleno século XXI um filme que tenta mostrar o ser humano ensinando a máquina a derrotar o homem através da inteligência artificial. Computer Chess é, ou pelo menos tenta ser uma versão cômica de um filme de trinta anos atrás, e deixa a desejar quando o assunto é uma boa produção.
 
Dirigido por Andrew Bujalski, que teve alguns de seus filmes estampados nas críticas do New York Times, Computer Chess leva o espectador para um período nostálgico da humanidade: uma frenética competição entre a tecnologia e capacidade intelectual do ser humano. No caso do filme o foco da tão avançada tecnologia são os jogos de Xadrez.
 
O longa fala de um final de semana em que grandes programadores de software de xadrez da época se reuniram para um importante torneio. A partir daí, os competidores tentam, de qualquer forma, encontrar uma maneira de vencer. O torneio retratado no filme é tido como especial. Isso porque é a primeira vez que uma mulher participa dele.
 
Além de tratar dos avanços dos jogos de xadrez, vale ressaltar que o filme combina tecnologia e as relações afetivas que existem entre os seres humanos. Patrick Riester estreia nos cinemas interpretando Peter Bishton, um jovem nerd que só pensa em ser um gênio da computação, porém está passando por uma fase de descobertas de seu próprio corpo.

Às vezes é possível rir com algumas cenas inesperadas e inusitadas, porém isso não consegue encobrir a monotonia do filme. O que nos faz refletir mesmo é até que ponto uma máquina pode ser melhor que o homem? Será que ela consegue derrotar ou controlar o ser humano? Parece ser um tanto contraditório, mas a relação entre o homem e a máquina sempre será estreita.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Quando eu era sombrio

COBERTURA ESPECIAL FESTIVAL DO RIO 2013

Filme não inova, mas faz refletir

O que é ser pai ou mãe? Para que temos filhos? O que fazer com eles? Quando eu era sombrio tenta responder imparcialmente essas questões nas telonas do cinema. A princípio, parece ser um filme de poucos diálogos, e realmente é. A reflexão talvez seja o principal requisito ostentado por um diretor com apenas três filmes no currículo, Matthew Porterfield.

O longa não traz nada de inovador, a não ser pelos atores. Deragh Campbell estreia nos cinemas interpretando Taryn, uma menina de 19 anos que se vê sem saída quando descobre uma possível gravidez. Sendo assim, procura refúgio na casa dos seus tios Kim (Kim Taylor) e Bill (Ned Oldham) que estão com o casamento em decadência e buscam a melhor maneira de separação sem prejudicar sua filha Abby.

Toda vez que os pais mudam, os filhos também mudam, mesmo que de forma inconsciente. Com Quando eu era sombrio também não é diferente, a cenas mudam de uma hora para outra involuntariamente. Várias questões ficam em aberto. Por que do nada Taryn e Abby estão em uum show de rock sem nenhuma ligação com uma cena anterior ou posterior? Por que um homem mergulha na piscina aleatoriamente? A sensação é que a cena anterior não foi acabada ou o diretor esqueceu de cortá-la.

As filmagens parecem ter sido feitas por alguém que não parava de tremer. O diálogo entre os personagens quase não existe, há uma sucessão de cenas que poderiam dizer muito com gestos, mas não dizem. Outro ponto negativo é o final que não supera as expectativas de quem assiste. Parece que o filme acaba de repente e nos deixa com o desejo de saber o que de fato aconteceu com os personagens.


Vale ressaltar que os atores não fizeram uma atuação tão ruim, o que deixa o filme um pouco mais interessante. Kim, quando canta, consegue saltar os ouvidos do telespectador e sobressai mais que a personagem principal, Taryn. O longa chegou a ser exibido nos Festivais de Sundance e Berlim de 2013, mas não conquistou uma premiação.

One Direction: This is us

Uma campanha publicitária que pode agradar fãs

One Direction: This is us é um documentário sobre como Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson e Zayn Malik, e Niall Horan, integrantes do One Direction, conquistaram a fama e milhares de fãns pelo mundo, mas é inegável que funciona como uma peça publicitária para lançar os garotos. O filme é dirigido por Morgan Spurlok, diretor que ficou conhecido com o lançamento de Super Size me – A Dieta do Palhaço.

A banda britânica foi formada em 2010 quando os rapazes que hoje integram o 1D participaram de um reality show na Inglaterra, o X Factor. Venceram em terceiro lugar, mas ficaram famosos mundialmente depois de assinar um contrato com a gravadora Sony Music e conseguir o topo de vendas nos EUA com Up All Night, álbum de estréia. Isso porque a internet favoreceu para que o sucesso dos cinco meninos decolasse.

Ao que parece, Spurlok não teve muito trabalho na direção do filme, pois não há uma preocupação em contar uma história linear. Durante os 92 minutos de filme cenas artificiais acompanham toda a narrativa. Ao tentar mostrar o cotidiano dos garotos muitas cenas foram montadas, perdendo totalmente a originalidade. Pouco é mostrado sobre a vida do quinteto e de como eles se tornaram um fenômeno, o que se vê são apenas garotos bagunceiros que só querem curtir uma vida rodeada pela fama.

O que pode saltar mesmo os olhos é a produção de Simon Cowell que também foi responsável por criar a banda. Isso colabora para enaltecer um marketin projetado em torno da banda. Cenas de um show do grupo realizado na O2 Arena, em Londres, se mesclam constantemente com os momentos de diversão dos garotos fora dos palcos, o que dá a sensação de estar assistindo a um grande show business, o filme não tem muito conteúdo.


Os fãs tem grande chance de gostar do que verão nas telonas. Tem várias cenas de shows, dos bastidores e das trapalhadas dos cinco. São muitas cenas em 3D que mostram os meninos sem camisa tentando ser o mias carismáticos que conseguem. Como o próprio neurocientista do filme disse, muita dopamina vai tomar o cérebro das fãs, e nem vão perceber que é apenas mais um produto de divulgação do One Direction.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Sabrina Sato cocentra atenção em coletiva de imprensa no Rio

“Acima de tudo a gente se divertiu”, diz o diretor do filme

A apresentadora de Pânico na Band , Sabrina Sato, estreia nas telonas em O Concurso, no papel de Martinha Pinel. Sua participação foi elogiada pelo diretor Pedro Vasconcelos, e pelos atores do longa em entrevista coletiva com jornalistas, na tarde de segunda-feira (8), no hotel Marina Palace, Leblon, Rio de Janeiro. “Sempre quis me ver nas telonas, aquelas bem robert”, comenta Sabrina. Estavam presentes também a atriz Carol castro, os atores Rodrigo Pandolfo e Érico Brás, além do produtor LG Tubaldini.

O Concurso conta a história de quatro jovens nerds que anseiam passar em um concurso público para Juiz Federal. Em um final de semana no Rio, as vésperas da prova, eles se metem numa maior roubada. Durante a viagem, Bernardinho, um dos quatro protagonistas, se encontra com Martinha Pinel, um caso de infância.

Pinel é uma mulher extremamente louca e apaixonada por Bernardinho, papel de Rodrigo Pandolfo, e é filha de um pai atirador de facas e mãe contorcionista. “Todo mundo teve muita paciência comigo e me ajudaram na construção do personagem. Tenho certeza que hoje todos eles vão pro céu”, brincou Sabrina.  A ex-BBB falou também de sua parceria com Pandolfo e soltou o verbo: “Beijei pra caramba, já tava na seca há um tempão”. Rodrigo rebateu: “Ela manda ver”.

Sato não é a única a invadir as salas de cinema pela primeira vez. Pedro Vasconcelos também é pioneiro na direção de um longa metragem. Acostumado a comandar trabalhos televisivos, Vasconcelos diz que foi um grande desafio. “Minha maior preocupação era não estragar um projeto que tava com cara de ser muito legal”, afirmou. Para ele não há muita diferença em dirigir um filme que dirigir para TV, porém exige esforço e dedicações maiores.

Rodrigo falou de seu personagem, e segundo ele, retrata alguns pedaços da história de sua própria vida. “O filme mostra além da realidade do ‘concurseiro’, a realidade do Brasileiro. Eu mesmo vim do interior de São Paulo para tentar a vida”, diz. Ele comentou também da experiência que teve: “Bernardinho foi o personagem que mais consegui brincar e estudar ao mesmo tempo. A parceria com o Pedro foi sensacional. Quero trabalhar com você pelo resta da minha vida”.

Na coletiva, Carol Castro contou que seu maior desafio foi achar um choro engraçado. “Quando o Pedro me falou para chorar engraçado fiquei me perguntando como ia fazer aquilo, porque além de ser engraçado, tinha que passar uma verdade”. A atriz vive a mulher de Freitas, um dos protagonistas da trama. “Foi um papel, sobretudo, diferente de tudo que já fiz, e tenho mais uma barriga para acrescentar ao currículo”, comenta ao falar de sua personagem.

Érico Brás, atualmente no seriado Tapas & Beijos, interpreta um travesti ousado e esbanjou humor ao falar sobre seu papel. “A princípio me pareceu estranho. Na minha família só tem negão descendente direto de africano, e fazer um cara travestido não é fácil. Beijar um cara também foi um desafio. Ainda bem que foi o Porchat, um amigo, assim meu nome fica limpo na praça. Me joguei no personagem, me joguei nos braços do Porchat”, revelou descontraído o ator.

LG Tubaldini, apelidado de Tuba, esclareceu o filme. “A ideia surgiu cerca de três anos atrás. Buscávamos algo que se identificasse com o público. Estudamos também o pessoal que faz concurso, uma multidão de 12 milhões de pessoas”, afirmou. Pedro disse estar extremamente realizado. “A impressão é que todo mundo ficou muito feliz ao fazer as filmagens. Acima de tudo, a gente se divertiu”, completou o diretor.
                                                
09/07/2013

sexta-feira, 15 de março de 2013

A Busca

Uma produção brasileira rara de se ver


Um jogo, um quebra-cabeça. Será que pode ser chamado de jogo ou só de quebra-cabeça? Aqui se vai além do raciocínio. São obrigatórias a agilidade e a força física. Wagner Moura – o Capitão Nascimento – agora vive Theo, um homem com o casamento abalado e um filho desaparecido. A Busca, primeiro longa-metragem de Luciano Moura, éextremamente visceral, porém peca ao exibir cenas curtas com coadjuvantes. 

Pedro (Brás Moreau Antunes) foge de casa justamente no dia em que completaria 15 anos de idade. Daí em diante desespero, medo e aflição tomam conta de sua família, o quefaz com que Theo, seu pai, se lance na estrada em uma árdua procura. Ao longo do caminho Theo segue pistas, como se fossem peças de um quebra-cabeça que o levam para oencontro com um passado que deixou marcas.

São poucos os filmes nacionais que conseguem construir uma linha de sentido com cenas tão fortes e emocionantes. O longa só deixa a desejar pela grande expectativa, em vão, gerada acerca do reencontro entre pai e filho. O grande destaque são as atuações. O elenco é formadopor atores de peso, como Lima Duarte, por exemplo, que, apesar de aparecer por pouco tempo, arrepia e impacta. Wagner também é muito intenso, e deixa o espectador ligado o tempo todo na trama.

Normalmente os filmes nacionais parecem espécies de documentários que trazem à tona questões sociais e governamentais. A Busca, por outro lado, vem comuma nova proposta, bem sucedida, a propósito. São várias cenas inusitadas que parecem não dizer nada, mas pela construção de sentido feita, elas dizem tudo. Cada uma com seu significado específico, mas são conectadas.

Além de ser um thriller dramático, A Busca também tem seu lado cômico. Em algumas partes é possível arrancar boas risadas com as situações em que Theo se encontra. Uma grande produção brasileira,rara de se ver. É só sentar, assistir e deixar que as peças desse grande quebra-cabeça te levem para além das telonas. 

14/03/2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

Anna Karenina

Um romance russo americanizado

Mais uma versão de Anna Karenina, agora americanizada e dirigida por Joe Wright. Vencedor do Oscar 2013 na categoria de Melhor Figurino, o filme é baseado em um dos romances mais famosos de Liev Tolstoi, e retrata questões vividas na Rússia da segunda metade do século XIX, porém não segue pontualmente a obra do escritor.

Karenina, uma mulher da alta sociedade e casada com o Ministro Alexei Karenin, viaja para Moscou, conhece o Conde Vroski e se encanta por ele. Tal fato dá início a uma história atraente de amor e traição capaz de chocar a sociedade russa.   O foco de Wright não está em retratar a essência vivida por esse país à época. Sua intenção está mais para atrair o público jovem fã de dramalhões hollywoodanos.

O longa se assemelha a uma peça teatral, com toda a narrativa acontecendo em um palco de teatro, o que prejudica um pouco a realidade que se pretende passar. O ator Aaron Taylor-Johnson, que interpreta Vroski, tem cara de menino de 16 anos e por isso não convence com sua atuação. Keira Knightley, estrelando a personagem principal, tem uma atuação comovente e muito intensa.  

São duas horas e nove minutos com exibições de cenários maravilhosos e figurinos impecáveis. O filme, realmente, bate um bolão. A carga dramática na interpretação dos atores atrai bastante a atenção do espectador, além da trilha sonora muito bem pensada. Porém, em alguns momentos, há um exagero de melodrama na obra, o que deixa a trama um pouco forçada.
         
"Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira”, assim começa o grande romance de Liev Tolstoi que está na sua sexta adaptação para cinema. A frase não é nem mencionada no filme, o que o afasta do conteúdo original, mas, apesar disso, termina encantando aos olhos de quem assiste.

13/03/2013

sexta-feira, 8 de março de 2013

Wagner Moura fala de seu novo filme em coletiva de imprensa no Rio


A Busca traz uma concepção diferente da maioria dos filmes brasileiros

“Um filme brasileiro raro. Diferente do habitual”, diz o diretor de cinema Luciano Moura na divulgação de seu primeiro longa-metragem, A Busca. A coletiva aconteceu no Hotel Marina Palace, Leblon, na tarde de quarta-feira (06). Nela estavam presentes também os jornalistas, o ator Wagner Moura, que interpreta Theo, personagem principal da trama, Mariana Lima, na pele de Branca, mulher de Theo, e Elena Soarez, roteirista do filme.

O longa traz à tona uma relação de descobertas entre marido e mulher, entre pai e mãe e, principalmente, entre pai e filho. Segundo Luciano, o intuito era fazer algo que os filmes nacionais raramente fazem e assim, atrair o olhar do público e alcançar um maior número de espectadores – uma história cronológica, que foge dos formatos de uma novela, que contasse a saga de uma família classe média que vive um momento dramático com o sumiço do filho.

Wagner abriu a coletiva apresentando o longa aos jornalistas e garantiu que vai rolar muita emoção ao assisti-lo. Disse também estar muito satisfeito ao interpretar um personagem com uma história tão fascinante. “O trabalho do ator é muito bonito porque marca muito e fica até como experiência pessoal”, conta Wagner quando comenta sobre seu personagem. O ator baiano fala ainda da grande experiência de contracenar pela primeira vez com Lima Duarte, que também faz parte do elenco: “Os atores veteranos representam muito pela experiência que deixam aos novos. O Lima é extraordinário, só queria que ele ficasse feliz”.

Mariana Lima menciona que um dos privilégios que teve foi o ensaio. “Ensaio é uma coisa que filme brasileiro não prestigia”, diz a atriz. Para ela, isso contribuiu para tornar as cenas bem feitas e melhor trabalhadas, além de proporcionar mais intimidade com o parceiro de cena. Ela conta também que, apesar de o roteiro ter chegado pronto, os atores tiveram liberdade para alterações no conteúdo dele.

A escolha dos atores principais e até dos coadjuvantes foi bem seletiva de acordo com o diretor. “Todos os atores foram pensados. Tive essa preocupação para cada um ser exatamente aquilo que queria. Assim as cenas acontecem”, destacou Luciano ao falar sobre a atuação dramática do filme. Ele completou ainda dizendo que o longa é construído com inteligência e coração.

Quando foi lançado no Festival de Sundance 2012, o título era A Cadeira do Pai, que para a roteirista Elena tinha tudo a ver com a trama, mas talvez afastasse um pouco a audiência. O título foi repensado e ao estrear no Festival do Rio já trazia seu novo nome, A Busca, que agora tem tudo para fazer sucesso no Brasil. A Busca estreia dia 15 de março em todo o território nacional.

08/03/2013

segunda-feira, 4 de março de 2013

Duro de Matar 5 – Um bom dia para morrer

Bruce Willis está de volta

Nas telonas, o ator vive o policial John McClane à procura de seu filho Jack (Jai Courtney) acusado de assassinato na Rússia. Assim que toma ciência do fato, McClane viaja para o país na tentativa de rever o filho e o encontra em perigosa fuga. Um filme com bons efeitos especiais, porém sem histórias inovadoras.

Apesar da idade, o protagonista não economiza na atuação. Dessa vez Bruce Willis se mete em várias confusões com direito à muita adrenalina e riscos de ameaças nucleares. O longa mostra também a tímida relação afetiva entre pai e filhos, no caso McClane, seu filho Jack e sua filha Lucy (Mary Elizabeth).

O roteiro é bem fraco - as histórias são chatas e não trazem nada de novo. As cenas se repetem e já fazem parte da memória do espectador, o que torna a ficção bastante cansativa. O que chama a atenção dos nossos olhares são as cenas de explosão e os efeitos especiais. A ação do filme é bastante estimuladora.

Há também a tentativa de incluir humor à narrativa. Tentativa sem sucesso. As piadas são clichê e super bobas. Mesmo assim, em alguns momentos, risos tímidos são arrancados de quem assiste. A trilha sonora é admirável, mas não excelente, e em alguns trechos não acompanha a tensão que as cenas pedem. 

A sequência de perseguição pelas ruas de Moscou parece surreal, a sensação é de que elas são impossíveis de acontecer. Em algumas partes, inclusive, as filmagens se assemelham à gravações feita por um amador. O nível de dificuldade dos McClane ao lutar contra os vilões não é muito grande, eles conseguem vencer com muita facilidade, o que é desestimulador.

De fato, as quatro versões anteriores foram alvos de elogios e foram duras de matar, mas a quinta franquia escolheu seu belo dia para morrer e encerrar a série com pouco estilo. Duro de Matar 5 tem muitos furos, porém faturou milhões e a liderança nas bilheterias dos EUA. Será que isso vai se repetir aqui no Brasil? É esperar pra ver...

21/02/2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013


Coletiva de imprensa com Maria Flor e Fernando Meireles - Filme '360'


“’360’ é um filme mais adulto”, diz Fernando Meirelles

Diretor e atriz Maria Flor falam sobre o longa, personagens e suas histórias interligadas
Elaine Souza e Ramon Tadeu


O cineasta Fernando Meirelles, indicado ao Oscar por Cidade de Deus, e a atriz Maria Flor, melhor atriz coadjuvante em Quase Dois Irmãos, apresentaram o filme 360 em entrevista coletiva no hotel Marina Palace, zona sul do Rio de Janeiro. Com roteiro do inglês Peter Morgan, o filme fala sobre amor e relacionamentos, sobre decisões pessoais e personagens que, apesar de estarem em lugares diferentes, se interligam ao longo da trama.

Mesmo que seja uma adaptação da clássica La Ronde de Arthur Schnitzler, o longa é bem diferente da peça. “O que não tiramos do original é o começo e final com uma prostituta em Viena”, diz Fernando. Peter Morgan queria que o filme fosse parecido com a vida dele, meio corrida, com tantas idas e vindas de aeroportos, conexões e trabalho em diferentes cidades, para deixar aquela sensação de que o mundo é pequeno, explicou Meirelles.

O roteiro traz nomes como Anthony Hopkins, Rachel Weisz, Jude Law e Ben Foster dentre os personagens. Além de uma primeira escolha do diretor, o ator francês Jamel Debouzze, com quem Meirelles sempre quis trabalhar. Entre tantos astros e nomes importantes do cinema global, estão também os brasileiros Maria Flor e Juliano Cazarré, que já haviam trabalhado com o cineasta na antiga série de televisão Som e Fúria. “Quando li o roteiro, logo pensei neles. Temos uma boa relação pessoal e os dois são ótimos atores.”, comentou Meirelles sobre a participação dos atores.

Para o diretor, trabalhar com muitos personagens foi um desafio. Segundo ele, se fosse começar o filme de novo, tiraria um ou dois. “O problema de se trabalhar com muitos é que sobra pouco tempo para desenvolver cada um. Algumas histórias dariam para fazer um filme inteiro, como as dos personagens da Maria Flor e do Ben Foster”.

“O que me interessou foi ver o nome de Morgan no roteiro”, diz o diretor. “É uma história clássica em três atos, que seguem o personagem. Nunca tinha feito um filme com tantos personagens, isso me atraiu, pois a história não tem antagonista nem protagonista já que estes estão dentro de cada um deles”.

A atriz Maria Flor disse que foi uma grande oportunidade e um desafio contracenar com grandes estrelas como Anthony Hopkins e Ben Foster. “Nunca imaginei que um dia fosse contracenar com atores desse porte”, disse a atriz sobre a relação de seu personagem com Hopkins e Foster.

Flor conta que não chegou a ficar amiga do ator, mas que aprendeu muito com ele. “Achei ele um cara muito aberto. Estava apreensiva em trabalhar com ele, tinha aquela impressão dele ser intocável, mas não foi assim. É um grande ator, por ter mais experiência é muito técnico. Parece que o tempo inteiro ele está se colocando para a câmera. Na cena do aeroporto ele se entregou completamente”, diz a atriz.

Nos Estados Unidos, onde o filme estreou em junho, as críticas não foram muito boas. De acordo com Meirelles é só uma questão de tempo para que o longa tenha uma melhor receptividade, pois ficou em cartaz apenas um final de semana em sete salas, o que segundo ele não é tempo suficiente para indicar o grau de sucesso do longa. “No Brasil esperamos 300 mil espectadores”, conta o diretor.

No mais, Meirelles revela que seu próximo trabalho será uma adaptação da biografia de Aristóteles Onassis, um dos maiores empresários do século XX. Neste, o diretor atua novamente com seu parceiro em Cidade de Deus, o roteirista Bráulio Montavani, escritor também de Tropa de Elite.

16/08/2012

360





Tudo está conectado
Por mais distantes que estejamos e mesmo que não nos
conheçamos, nossas histórias são sempre parecidas e se encontram em algum ponto. Nossas vidas dão um giro de 360 graus e nós nem percebemos.
Diferente da vida violenta e do tráfico retratada em Cidade de Deus, que foi indicado ao Oscar, e da industria farmacêutica de O Jardineiro Fiel, o mesmo diretor Fernando Meirelles aposta agora na vida romântica do século XXI com 360, um filme escrito pelo roteirista Peter Morgan que conta a vida de personagens de vários lugares do mundo que se interligam de algum modo.
Ainda que sejam contadas várias histórias em diferentes cidades e países, elas têm uma cronologia e uma ordem, se misturam e acabam se conectando, sem nunca perder sua particularidade. As decisões dos personagens interferem no caminho que o outro vai trilhar. Na verdade, é um jogo de escolhas que estão ligadas e cabe ao personagem optar pelo rumo de sua história.
Mesmo com um elenco internacional de ponta, a trama tem cara de filme brasileiro. Assim como o próprio nome 360 sugere, do inicio ao fim, o filme dá voltas e retorna no mesmo ponto de partida. A sensação de drama e suspense também é notada, porém em algumas partes o que se espera acontecer não acontece.
É natural que em um roteiro com muitas tramas, um ator ganhe mais destaque que o outro e que alguns personagens desapareçam da história. É isso que acontece nessa adaptação do clássico La Ronde de Arthur Schnitzler, onde intérpretes desaparecem depois de uma breve atuação, como os papéis desempenhados por Jamel Debbouze, Marianne Jean-Baptiste e Juliano Cazarré.
Por incrível que pareça, 360 não é um filme complicado. Fala do cotidiano, das relações pessoais e dos conflitos internos de cada um. É como uma vida dinâmica que está em constante movimento. 

17/08/2012

O Quadro

COBERTURA ESPECIAL FESTIVAL DO RIO 2012

Um quadro inacabado e uma história mágica


Dirigido por Jean-François Laguionie, O Quadro mistura ficção e desenho animado num tom de autêntica realidade. Em sua narrativa, o filme trata do egoísmo e da autosuficiência, além de um belo caso de amor entre o pintor e sua obra.

O enredo dessa história se baseia em um quadro inacabado que mostra um castelo cercado por um jardim. Lá vivem três tipos de personagens: os “Todopintados”, que estão completamente pintados e se julgam superiores; os “Pelametades”, com pequenos detalhes sem tinta; e os “Rabiscos”, que são apenas esboços que sofrem desprezo e violência.

Essa diferença entre os personagens leva a uma desarmonia entre eles, a qual causa certa disputa pelo o que é belo. Sendo assim, algumas pinturas se juntam e saem do quadro à procura do pintor, afim de que ele conclua seu trabalho e restaure a harmonia.

Os personagens inacabados podem ser comparados às crianças que ainda não se desenvolveram em adultos, e os acabados, a aquelas que se acham superiores, egocêntricas e importantes pelo padrão de beleza.

O filme fica um pouco confuso na medida em que a ficção entra no mundo real, porque os contos aumentam, porém é possível não se perder. Na verdade, o pintor demonstra seus sentimentos e casos pessoais nas obras que faz, como, por exemplo, seu amor por uma linda mulher.

A narrativa é bem atraente e passa uma mensagem bastante educativa. Aguça o medo, a coragem, a alegria, a tristeza, o amor e o ódio, além de, é claro, a possibilidade de sonhar. Tudo acontece como se fosse mágica, mas não é perdida a proporção de realidade.

23/10/2012

Viúvas

Uma história dramática sobre mulheres para mulheres
O que você faria se fosse traído e, ainda, se seu grande amor, prestes a morrer, te pedisse para cuidar da amante dele? Essa é a história vivida pela atriz argentina Graciela Borges no filme Viúvas. No longao diretor e roteirista do romance, Marcos Carnevale, adapta para as telonas um conto feito por uma mulher, sobre mulheres e para mulheres.
Diretora de documentários, Elena, interpretada por Graciela, recebe uma notícia inesperada informando o estado de saúde de seu marido. No desenrolar da trama, descobre que foi traída durante cinco anos e tem de lidar com sua rival, Adela, suposta amante mais jovem de seu marido. Uma situação, no mínimo, constrangedora.
O roteiro é fraco e não traz nada de inovador. Ao assistir ao filme, a sensação é a mesma de quando nos envolvemos com os conflitos de uma novela, só que em 102 minutos. Porém ele te prende do inicio ao fim, na expectativa de descobrirmos o que de fato aconteceu com os personagens.
A cronologia é muito boa. Há uma sequência interessante, e, de fato, parece ser uma história real e estimuladora. Constantemente surgem flashes como se fossem estalos na mente que ligam os fatos. É possível se identificar com as diversas situações que o longa traz à tona. Talvez esse seja um ponto forte do filme.
Por outro lado, algumas partes são exageradas, em especial, as dramáticas, típico de intrigas de telenovelas. É gerado também um tom de indignação pela circunstância e pelos conflitos que vivem os personagens. Em alguns momentos a trilha sonora nos traz à memória a cidade de Paris, o que ameniza a tensão que o filme propõe. Vale a pena conferir!
 20/12/2012

Construção

Toda trajetória tem que lidar com duas questões: pátria e família

Construção é o primeiro longa-metragem dirigido por Carolina Sá que, além de diretora, também é personagem de sua própria história. O roteiro é baseado em dois protagonistas separados pelo tempo, mas que se aproximam, pela primeira vez, nas telas do cinema - Branca e Marcos, filha e pai de Carol respectivamente. Participam também grandes nomes como Walter Salles e Patrícia Pillar, produtores associados.

O longa tem cara de documentário e narra a vida de Carolina, que em suas viagens a trabalho conhece o cubano René. Desse relacionamento nasce Branca, uma menina de olhar inocente que tem sua história traçada e dividida entre Brasil e Cuba. A cronologia do filme funciona como um ciclo que, do início ao fim, passeia pela biografia dos protagonistas, no intuito de uni-los através das lembranças.

Marcos, assim como Carolina, registrou vários momentos de sua vida –com câmeras super-8 e gravadores, ele documentava seu cotidiano.  A pátria, a família e a maternidade são os pontos principais que atraem a atenção de quem assiste ao filme. É notável também a presença da menina Branca, capaz de emocionar e sensibilizar o público.

Sobre os recortes de filmagens amadoras, embora carreguem uma carga sentimental expressiva, eles se tornam chatos e cansativos ao longo da história. Por outro lado, apesar do tom subjetivo da narrativa, é possível se identificar com a história da diretora que, propositalmente, quis torná-la universal.
                                                                                                                                                                                                    23/11/2012