quinta-feira, 31 de janeiro de 2013


Coletiva de imprensa com Maria Flor e Fernando Meireles - Filme '360'


“’360’ é um filme mais adulto”, diz Fernando Meirelles

Diretor e atriz Maria Flor falam sobre o longa, personagens e suas histórias interligadas
Elaine Souza e Ramon Tadeu


O cineasta Fernando Meirelles, indicado ao Oscar por Cidade de Deus, e a atriz Maria Flor, melhor atriz coadjuvante em Quase Dois Irmãos, apresentaram o filme 360 em entrevista coletiva no hotel Marina Palace, zona sul do Rio de Janeiro. Com roteiro do inglês Peter Morgan, o filme fala sobre amor e relacionamentos, sobre decisões pessoais e personagens que, apesar de estarem em lugares diferentes, se interligam ao longo da trama.

Mesmo que seja uma adaptação da clássica La Ronde de Arthur Schnitzler, o longa é bem diferente da peça. “O que não tiramos do original é o começo e final com uma prostituta em Viena”, diz Fernando. Peter Morgan queria que o filme fosse parecido com a vida dele, meio corrida, com tantas idas e vindas de aeroportos, conexões e trabalho em diferentes cidades, para deixar aquela sensação de que o mundo é pequeno, explicou Meirelles.

O roteiro traz nomes como Anthony Hopkins, Rachel Weisz, Jude Law e Ben Foster dentre os personagens. Além de uma primeira escolha do diretor, o ator francês Jamel Debouzze, com quem Meirelles sempre quis trabalhar. Entre tantos astros e nomes importantes do cinema global, estão também os brasileiros Maria Flor e Juliano Cazarré, que já haviam trabalhado com o cineasta na antiga série de televisão Som e Fúria. “Quando li o roteiro, logo pensei neles. Temos uma boa relação pessoal e os dois são ótimos atores.”, comentou Meirelles sobre a participação dos atores.

Para o diretor, trabalhar com muitos personagens foi um desafio. Segundo ele, se fosse começar o filme de novo, tiraria um ou dois. “O problema de se trabalhar com muitos é que sobra pouco tempo para desenvolver cada um. Algumas histórias dariam para fazer um filme inteiro, como as dos personagens da Maria Flor e do Ben Foster”.

“O que me interessou foi ver o nome de Morgan no roteiro”, diz o diretor. “É uma história clássica em três atos, que seguem o personagem. Nunca tinha feito um filme com tantos personagens, isso me atraiu, pois a história não tem antagonista nem protagonista já que estes estão dentro de cada um deles”.

A atriz Maria Flor disse que foi uma grande oportunidade e um desafio contracenar com grandes estrelas como Anthony Hopkins e Ben Foster. “Nunca imaginei que um dia fosse contracenar com atores desse porte”, disse a atriz sobre a relação de seu personagem com Hopkins e Foster.

Flor conta que não chegou a ficar amiga do ator, mas que aprendeu muito com ele. “Achei ele um cara muito aberto. Estava apreensiva em trabalhar com ele, tinha aquela impressão dele ser intocável, mas não foi assim. É um grande ator, por ter mais experiência é muito técnico. Parece que o tempo inteiro ele está se colocando para a câmera. Na cena do aeroporto ele se entregou completamente”, diz a atriz.

Nos Estados Unidos, onde o filme estreou em junho, as críticas não foram muito boas. De acordo com Meirelles é só uma questão de tempo para que o longa tenha uma melhor receptividade, pois ficou em cartaz apenas um final de semana em sete salas, o que segundo ele não é tempo suficiente para indicar o grau de sucesso do longa. “No Brasil esperamos 300 mil espectadores”, conta o diretor.

No mais, Meirelles revela que seu próximo trabalho será uma adaptação da biografia de Aristóteles Onassis, um dos maiores empresários do século XX. Neste, o diretor atua novamente com seu parceiro em Cidade de Deus, o roteirista Bráulio Montavani, escritor também de Tropa de Elite.

16/08/2012

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