COBERTURA
ESPECIAL FESTIVAL DO RIO 2013
Sem diálogos entre os personagens, filme surpreende
com cenas fortes
Como seria um filme dirigido e
protagonizado por Djamila Sahraoui? O filme ganhou o Prêmio FIPRESCI de melhor
direção no Festival de Dubai, em 2012, e podemos dizer que a habilidade de atuação
de Sahraoui é bastante apreciável. Yema
se passa em uma parte rural da Argélia e é extremamente gestual e simbólico.
Todo muçulmano tem de seguir a doutrina do
Corão, mesmo que dificulte a relação entre mãe e filho. Ouardia, interpretada
pela diretora, é uma mãe de dois filhos que se depara com as consequências da
realidade de uma guerra civil entre o governo e rebeldes islâmicos. Ali, um dos
seus filhos e líder de um grupo de radicais islâmicos, mata seu próprio irmão,
um soldado do governo. O que mais impressiona no filme é como Ouardia lida com
essa situação contrastante.
O diálogo entre os personagens de Yema é praticamente inexistente, porém é
repleto de metáforas e gestos que encarnam a cultura islâmica. Em um universo
rodeado de dor e desfigurado pela seca, a protagonista cria coragem para dar
vida a sua horta, uma fonte de alimentação. A significativa ideia era
representar a possibilidade de esperança em um mundo aparentemente sem
perspectiva.
O longa inicia com Ouardia se preparando
para enterrar seu filho mais velho, morto pelo irmão. As cenas que Yema traz às
telonas são fortes, porém não variam, o que contribui para deixar o filme um
tanto monótono. A presença de uma trilha sonora tornaria mais interessante a
narrativa, já que apenas o som ambiente é enaltecido.
Vale destacar que, apesar de ser um filme
muito cansativo, Yema é um drama bem
filmado e enfatiza apenas uma questão: até que ponto uma mãe pode suportar para
garantir sua sobrevivência e o bem estar de sua família, vítima de fragmentação
em consequência de uma guerra civil islâmica?
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