sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Yema

COBERTURA ESPECIAL FESTIVAL DO RIO 2013

Sem diálogos entre os personagens, filme surpreende com cenas fortes

Como seria um filme dirigido e protagonizado por Djamila Sahraoui? O filme ganhou o Prêmio FIPRESCI de melhor direção no Festival de Dubai, em 2012, e podemos dizer que a habilidade de atuação de Sahraoui é bastante apreciável. Yema se passa em uma parte rural da Argélia e é extremamente gestual e simbólico.

Todo muçulmano tem de seguir a doutrina do Corão, mesmo que dificulte a relação entre mãe e filho. Ouardia, interpretada pela diretora, é uma mãe de dois filhos que se depara com as consequências da realidade de uma guerra civil entre o governo e rebeldes islâmicos. Ali, um dos seus filhos e líder de um grupo de radicais islâmicos, mata seu próprio irmão, um soldado do governo. O que mais impressiona no filme é como Ouardia lida com essa situação contrastante.

O diálogo entre os personagens de Yema é praticamente inexistente, porém é repleto de metáforas e gestos que encarnam a cultura islâmica. Em um universo rodeado de dor e desfigurado pela seca, a protagonista cria coragem para dar vida a sua horta, uma fonte de alimentação. A significativa ideia era representar a possibilidade de esperança em um mundo aparentemente sem perspectiva.  

O longa inicia com Ouardia se preparando para enterrar seu filho mais velho, morto pelo irmão. As cenas que Yema traz às telonas são fortes, porém não variam, o que contribui para deixar o filme um tanto monótono. A presença de uma trilha sonora tornaria mais interessante a narrativa, já que apenas o som ambiente é enaltecido.



Vale destacar que, apesar de ser um filme muito cansativo, Yema é um drama bem filmado e enfatiza apenas uma questão: até que ponto uma mãe pode suportar para garantir sua sobrevivência e o bem estar de sua família, vítima de fragmentação em consequência de uma guerra civil islâmica?

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