quinta-feira, 17 de outubro de 2013

I Love Kuduro

COBERTURA ESPECIAL FESTIVAL DO RIO 2013
Batida angolana ganha o mundo com sua originalidade

Angola, território de diversas culturas com línguas, costumes e origens diferentes. É de lá que vem o beat, criado no final dos anos 80, que se espalhou rapidamente entre os jovens africanos e agora por todo mundo: Kuduro. O Documentário I Love Kuduro, dirigido por Mário Patrocínio, mesmo diretor de Complexo: Universo Paralelo, narra como surgiu esse gênero musical urbano e explica como ele se tornou um fenômeno mundial.

Os narradores da história explicam a realidade e evidenciam as origens do ritmo angolano marcado pela batida pesada, pelas letras fortes e pelos graves distorcidos que se assemelham ao som dos funks cariocas. O que impressiona é como os jovens kuduristas conseguem achar a música em qualquer coisa que exprima som e a transforma em grandes sucessos.

Durante os 99 minutos de filme veem-se as mais idolatradas estrelas que fazem parte desse estilo de música. Figuras coloridas e altamente criativas nos divertem ao longo do filme com sua originalidade particular. A dupla de rappers Príncipe Ouro Negro e Presidente Gasolina transferem nossa atenção para um dialeto pitoresco criado por eles, além dos nomes inventivos que atribuem aos objetos.

Além de sensibilizar o espectador pela situação precária da maioria dos africanos, a narrativa documental mostra o que eles conseguem fazer com tão pouco recurso financeiro. (Nagrelha Chefe de Estado-Maior do Kuduro), Sabem (o príncipe), Francis Boy (o rei do swegue), Titica (a estrela transexual cintilante) e Cabo Snoop (o príncipe da África) são umas das celebridades que mais fazem sucesso por lá e que usaram sua criatividade musical para chegar ao estrelato.

O documentário é bem feito e não foge do tradicional (depoimentos, músicas, arquivos), mas é eficiente. A sensualidade impressa nos movimentos de quem dança Kuduro é um tanto veemente e ao mesmo tempo excepcional. I Love Kuduro deixa um gostinho de viajar para Angola e participar dessa mistura de ritmos que fazem o corpo mexer involuntariamente. O povo mais pobre do mundo mostra que tem identidade e sabe bailar.

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