sexta-feira, 15 de março de 2013

A Busca

Uma produção brasileira rara de se ver


Um jogo, um quebra-cabeça. Será que pode ser chamado de jogo ou só de quebra-cabeça? Aqui se vai além do raciocínio. São obrigatórias a agilidade e a força física. Wagner Moura – o Capitão Nascimento – agora vive Theo, um homem com o casamento abalado e um filho desaparecido. A Busca, primeiro longa-metragem de Luciano Moura, éextremamente visceral, porém peca ao exibir cenas curtas com coadjuvantes. 

Pedro (Brás Moreau Antunes) foge de casa justamente no dia em que completaria 15 anos de idade. Daí em diante desespero, medo e aflição tomam conta de sua família, o quefaz com que Theo, seu pai, se lance na estrada em uma árdua procura. Ao longo do caminho Theo segue pistas, como se fossem peças de um quebra-cabeça que o levam para oencontro com um passado que deixou marcas.

São poucos os filmes nacionais que conseguem construir uma linha de sentido com cenas tão fortes e emocionantes. O longa só deixa a desejar pela grande expectativa, em vão, gerada acerca do reencontro entre pai e filho. O grande destaque são as atuações. O elenco é formadopor atores de peso, como Lima Duarte, por exemplo, que, apesar de aparecer por pouco tempo, arrepia e impacta. Wagner também é muito intenso, e deixa o espectador ligado o tempo todo na trama.

Normalmente os filmes nacionais parecem espécies de documentários que trazem à tona questões sociais e governamentais. A Busca, por outro lado, vem comuma nova proposta, bem sucedida, a propósito. São várias cenas inusitadas que parecem não dizer nada, mas pela construção de sentido feita, elas dizem tudo. Cada uma com seu significado específico, mas são conectadas.

Além de ser um thriller dramático, A Busca também tem seu lado cômico. Em algumas partes é possível arrancar boas risadas com as situações em que Theo se encontra. Uma grande produção brasileira,rara de se ver. É só sentar, assistir e deixar que as peças desse grande quebra-cabeça te levem para além das telonas. 

14/03/2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

Anna Karenina

Um romance russo americanizado

Mais uma versão de Anna Karenina, agora americanizada e dirigida por Joe Wright. Vencedor do Oscar 2013 na categoria de Melhor Figurino, o filme é baseado em um dos romances mais famosos de Liev Tolstoi, e retrata questões vividas na Rússia da segunda metade do século XIX, porém não segue pontualmente a obra do escritor.

Karenina, uma mulher da alta sociedade e casada com o Ministro Alexei Karenin, viaja para Moscou, conhece o Conde Vroski e se encanta por ele. Tal fato dá início a uma história atraente de amor e traição capaz de chocar a sociedade russa.   O foco de Wright não está em retratar a essência vivida por esse país à época. Sua intenção está mais para atrair o público jovem fã de dramalhões hollywoodanos.

O longa se assemelha a uma peça teatral, com toda a narrativa acontecendo em um palco de teatro, o que prejudica um pouco a realidade que se pretende passar. O ator Aaron Taylor-Johnson, que interpreta Vroski, tem cara de menino de 16 anos e por isso não convence com sua atuação. Keira Knightley, estrelando a personagem principal, tem uma atuação comovente e muito intensa.  

São duas horas e nove minutos com exibições de cenários maravilhosos e figurinos impecáveis. O filme, realmente, bate um bolão. A carga dramática na interpretação dos atores atrai bastante a atenção do espectador, além da trilha sonora muito bem pensada. Porém, em alguns momentos, há um exagero de melodrama na obra, o que deixa a trama um pouco forçada.
         
"Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira”, assim começa o grande romance de Liev Tolstoi que está na sua sexta adaptação para cinema. A frase não é nem mencionada no filme, o que o afasta do conteúdo original, mas, apesar disso, termina encantando aos olhos de quem assiste.

13/03/2013

sexta-feira, 8 de março de 2013

Wagner Moura fala de seu novo filme em coletiva de imprensa no Rio


A Busca traz uma concepção diferente da maioria dos filmes brasileiros

“Um filme brasileiro raro. Diferente do habitual”, diz o diretor de cinema Luciano Moura na divulgação de seu primeiro longa-metragem, A Busca. A coletiva aconteceu no Hotel Marina Palace, Leblon, na tarde de quarta-feira (06). Nela estavam presentes também os jornalistas, o ator Wagner Moura, que interpreta Theo, personagem principal da trama, Mariana Lima, na pele de Branca, mulher de Theo, e Elena Soarez, roteirista do filme.

O longa traz à tona uma relação de descobertas entre marido e mulher, entre pai e mãe e, principalmente, entre pai e filho. Segundo Luciano, o intuito era fazer algo que os filmes nacionais raramente fazem e assim, atrair o olhar do público e alcançar um maior número de espectadores – uma história cronológica, que foge dos formatos de uma novela, que contasse a saga de uma família classe média que vive um momento dramático com o sumiço do filho.

Wagner abriu a coletiva apresentando o longa aos jornalistas e garantiu que vai rolar muita emoção ao assisti-lo. Disse também estar muito satisfeito ao interpretar um personagem com uma história tão fascinante. “O trabalho do ator é muito bonito porque marca muito e fica até como experiência pessoal”, conta Wagner quando comenta sobre seu personagem. O ator baiano fala ainda da grande experiência de contracenar pela primeira vez com Lima Duarte, que também faz parte do elenco: “Os atores veteranos representam muito pela experiência que deixam aos novos. O Lima é extraordinário, só queria que ele ficasse feliz”.

Mariana Lima menciona que um dos privilégios que teve foi o ensaio. “Ensaio é uma coisa que filme brasileiro não prestigia”, diz a atriz. Para ela, isso contribuiu para tornar as cenas bem feitas e melhor trabalhadas, além de proporcionar mais intimidade com o parceiro de cena. Ela conta também que, apesar de o roteiro ter chegado pronto, os atores tiveram liberdade para alterações no conteúdo dele.

A escolha dos atores principais e até dos coadjuvantes foi bem seletiva de acordo com o diretor. “Todos os atores foram pensados. Tive essa preocupação para cada um ser exatamente aquilo que queria. Assim as cenas acontecem”, destacou Luciano ao falar sobre a atuação dramática do filme. Ele completou ainda dizendo que o longa é construído com inteligência e coração.

Quando foi lançado no Festival de Sundance 2012, o título era A Cadeira do Pai, que para a roteirista Elena tinha tudo a ver com a trama, mas talvez afastasse um pouco a audiência. O título foi repensado e ao estrear no Festival do Rio já trazia seu novo nome, A Busca, que agora tem tudo para fazer sucesso no Brasil. A Busca estreia dia 15 de março em todo o território nacional.

08/03/2013

segunda-feira, 4 de março de 2013

Duro de Matar 5 – Um bom dia para morrer

Bruce Willis está de volta

Nas telonas, o ator vive o policial John McClane à procura de seu filho Jack (Jai Courtney) acusado de assassinato na Rússia. Assim que toma ciência do fato, McClane viaja para o país na tentativa de rever o filho e o encontra em perigosa fuga. Um filme com bons efeitos especiais, porém sem histórias inovadoras.

Apesar da idade, o protagonista não economiza na atuação. Dessa vez Bruce Willis se mete em várias confusões com direito à muita adrenalina e riscos de ameaças nucleares. O longa mostra também a tímida relação afetiva entre pai e filhos, no caso McClane, seu filho Jack e sua filha Lucy (Mary Elizabeth).

O roteiro é bem fraco - as histórias são chatas e não trazem nada de novo. As cenas se repetem e já fazem parte da memória do espectador, o que torna a ficção bastante cansativa. O que chama a atenção dos nossos olhares são as cenas de explosão e os efeitos especiais. A ação do filme é bastante estimuladora.

Há também a tentativa de incluir humor à narrativa. Tentativa sem sucesso. As piadas são clichê e super bobas. Mesmo assim, em alguns momentos, risos tímidos são arrancados de quem assiste. A trilha sonora é admirável, mas não excelente, e em alguns trechos não acompanha a tensão que as cenas pedem. 

A sequência de perseguição pelas ruas de Moscou parece surreal, a sensação é de que elas são impossíveis de acontecer. Em algumas partes, inclusive, as filmagens se assemelham à gravações feita por um amador. O nível de dificuldade dos McClane ao lutar contra os vilões não é muito grande, eles conseguem vencer com muita facilidade, o que é desestimulador.

De fato, as quatro versões anteriores foram alvos de elogios e foram duras de matar, mas a quinta franquia escolheu seu belo dia para morrer e encerrar a série com pouco estilo. Duro de Matar 5 tem muitos furos, porém faturou milhões e a liderança nas bilheterias dos EUA. Será que isso vai se repetir aqui no Brasil? É esperar pra ver...

21/02/2013