Uma produção brasileira rara
de se ver
Um jogo, um quebra-cabeça. Será que pode ser chamado de
jogo ou só de quebra-cabeça? Aqui se vai além do raciocínio. São obrigatórias a
agilidade e a força física. Wagner Moura – o Capitão Nascimento – agora vive Theo,
um homem com o casamento abalado e um filho desaparecido. A Busca, primeiro longa-metragem de Luciano Moura, éextremamente
visceral, porém peca ao exibir cenas curtas com coadjuvantes.
Pedro (Brás Moreau Antunes) foge de casa justamente no
dia em que completaria 15 anos de idade. Daí em diante desespero, medo e
aflição tomam conta de sua família, o quefaz com que Theo, seu pai, se lance na
estrada em uma árdua procura. Ao longo do caminho Theo segue pistas, como se
fossem peças de um quebra-cabeça que o levam para oencontro com um passado que
deixou marcas.
São poucos os filmes nacionais que conseguem construir
uma linha de sentido com cenas tão fortes e emocionantes. O longa só deixa a
desejar pela grande expectativa, em vão, gerada acerca do reencontro entre pai e
filho. O grande destaque são as atuações. O elenco é formadopor atores de peso,
como Lima Duarte, por exemplo, que, apesar de aparecer por pouco tempo, arrepia
e impacta. Wagner também é muito intenso, e deixa o espectador ligado o tempo
todo na trama.
Normalmente os filmes nacionais parecem espécies de documentários
que trazem à tona questões sociais e governamentais. A Busca, por outro lado, vem comuma nova proposta, bem sucedida, a
propósito. São várias cenas inusitadas que parecem não dizer nada, mas pela
construção de sentido feita, elas dizem tudo. Cada uma com seu significado
específico, mas são conectadas.
Além de ser um thriller
dramático, A Busca também tem seu
lado cômico. Em algumas partes é possível arrancar boas risadas com as
situações em que Theo se encontra. Uma grande produção brasileira,rara de se
ver. É só sentar, assistir e deixar que as peças desse grande quebra-cabeça te
levem para além das telonas.
14/03/2013


